O movimento da Jovem Guarda ganhou muita força no período da Ditadura porque foi usado para disfarçar a consciência da população. Roberto Carlos e Vanderléia, por exemplo, vinham em movimento contrário às manifestações de protesto. Eles falavam da cultura mundial, dos Beetles. Foi um tipo de música que ganhou apoio do governo, primeiro porque era o único tipo de música autorizado sem restrição, e segundo porque, se de um lado uns queriam protestar contra o regime, outros (Jovem Guarda) não queriam nada com ele.
Os Festivais tiveram uma expressão muito forte, pois foi uma forma de aclamação das pessoas para ouvirem outro tipo de música que não fosse a Jovem Guarda.
Só a população mais elitizada, como professores, que faziam parte dos movimentos partidários, tinham, na verdade, um esclarecimento de que existia um movimento de resistência transfigurado e não declarado, que se dava a partir da música.
Então por que naquela época a música era uma expressão mais forte do que é hoje? Porque hoje, a questão da liberdade não está mais em jogo. Naquele período, ela era uma constante. Houve um Ato Institucional, o AI-5, que proibiu esse tipo de liberdade. Então, a música, na verdade, foi uma forma de travestir o discurso que deveria ser enunciado em outras estâncias, que a mídia não podia divulgar e nem a música.
A música, no período da Ditadura Militar, abriu a época dos grandes festivais. As principais expressões da música eram famosas por procurarem desenvolver o instinto vital da origem africana da música negra e a sofisticação eletrônica criada pela tecnologia branca. Esse movimento de protesto surgiu da necessidade de expressões livres, tornando-se, ao mesmo tempo, resposta e contestação ao Brasil, em um período em que a censura e a repressão foram responsáveis pelo fim de muitas ilusões revolucionárias alimentadas pelas propostas estéticas dos anos 60.
Na verdade, entende-se que, na época da ditadura, a conjuntura social era diferente do que é agora. O contexto político era outro. A maioria dos jovens que estavam envolvidos nos movimentos de protesto eram estudantes universitários, que se utilizavam também da música para se manifestarem, nos festivais musicais, contra a repressão e o sistema político em que viviam e esses jovens não se consideravam excluídos da sociedade, como acontece hoje. A forma de protesto era bem maior, era mais latente, porque as pessoas eram prejudicadas por qualquer ação que o governo julgasse incorreta, então, a forma que encontravam para expressar sua indignação era por meio da música.
Olá Lara, obrigado pela visita e pelos elogios a mim destinados, mesmo não sendo merecedor.
Gostaria de acrescentar aos seus leitores que as diferenças não são assim tão gritantes em todos os pontos com relação a aqueles tempos do regime militar repressivo, ao nosso regime democrático ditatorial político de hoje. Naqueles tempos um grupo de senhores criados para usar um uniforme verde-oliva mandavam, usavam os políticos que lhes deram sustentação para tornar legais as suas medidas absurdas e, quem desobedecia era punido totalmente a margem da lei. Hoje os políticos…, (muitos ainda são aqueles mesmos ou seus herdeiros) mandam, um exército desacreditado e desestimulado lhes dão sustentação e o povo é quem continua a obedecer pacificamente os mesmos algozes. Quando se colocam em posição contrária, a lei logo encontra algum número pra enquadrar o cidadão descontente. Sabe qual é a diferença? O Zé Rainha, o Zé Dirceu e outros tantos zés que tentam lutar uma luta em vão, sem a menor chance de vencer. Tudo aquí só se move pelos interesses dos poderosos, assim foi e, infelizmente assim será por muito tempo.
Eu devo escrever um artigo em breve falando sobre os verdadeiros motivos que levaram Lula ao poder em 2002. Gostaria que vc tivesse oportunidade de ler. Um abraço!
Por: Roberto Martins em Outubro 29, 2008
às 12:59 am
Háaa, esquecí de te dar os parabéns. O blogueiro é provavelmente um ser que tem distúrbios do sono e pra não ficar assistindo 007 contra Dr No na tv, fica escrevendo umas coisas de gosto bastante duvidoso. Tem gente que até gosta, outros irão te amaldiçoar até a sua décima geração, porém nunca desista, pois se vc encontrar entre esta multidão um único ser que acredita naquilo que vc está pregando, já valerá a pena e o seu martírio estará recompensado.
Bem vinda ao clube da insônia!
Por: Roberto Martins em Outubro 29, 2008
às 1:11 am