Publicado por: Lara | Novembro 2, 2008

Racionais MC’s – Negro Drama

Música: Negro Drama – Álbum: 1000 Trutas 1000 Tretas

Como ignorar um movimento cultural que a cada dia ganha mais adeptos e se alastra à juventude brasileira? Esse movimento é o hip hop, uma cultura criada e divulgada por meio da periferia americana para o mundo, e que desde a década de 80 começou a se enraizar na periferia brasileira.

O rap, como expressão cultural do hip hop, é feito por e para jovens da periferia dos grandes centros urbanos, que estão em busca de melhores condições de vida para a população do gueto em que vivem. O rap é uma forma de recuperar a esperança que esse jovem tem de poder progredir na vida, esse estilo é como se fosse a voz dos menos favorecidos para o mundo.

Por isso justifica citar os Racionais MC’s, porque é a música que tem no seu discurso, na enunciação, a voz dos jovens da periferia, que querem trazer para a letra a expressão máxima da sua condição de marginalizado, de excluído, de menos favorecido. Um fã dos Racionais MC’s identifica-se com as pessoas que falam da sua situação. Essas pessoas são os rappers.

Publicado por: Lara | Outubro 27, 2008

Música como manifestação de protesto

O movimento da Jovem Guarda ganhou muita força no período da Ditadura porque foi usado para disfarçar a consciência da população. Roberto Carlos e Vanderléia, por exemplo, vinham em movimento contrário às manifestações de protesto. Eles falavam da cultura mundial, dos Beetles. Foi um tipo de música que ganhou apoio do governo, primeiro porque era o único tipo de música autorizado sem restrição, e segundo porque, se de um lado uns queriam protestar contra o regime, outros (Jovem Guarda) não queriam nada com ele.

Os Festivais tiveram uma expressão muito forte, pois foi uma forma de aclamação das pessoas para ouvirem outro tipo de música que não fosse a Jovem Guarda.

Só a população mais elitizada, como professores, que faziam parte dos movimentos partidários, tinham, na verdade, um esclarecimento de que existia um movimento de resistência transfigurado e não declarado, que se dava a partir da música.

Então por que naquela época a música era uma expressão mais forte do que é hoje? Porque hoje, a questão da liberdade não está mais em jogo. Naquele período, ela era uma constante. Houve um Ato Institucional, o AI-5, que proibiu esse tipo de liberdade. Então, a música, na verdade, foi uma forma de travestir o discurso que deveria ser enunciado em outras estâncias, que a mídia não podia divulgar e nem a música.

A música, no período da Ditadura Militar, abriu a época dos grandes festivais. As principais expressões da música eram famosas por procurarem desenvolver o instinto vital da origem africana da música negra e a sofisticação eletrônica criada pela tecnologia branca. Esse movimento de protesto surgiu da necessidade de expressões livres, tornando-se, ao mesmo tempo, resposta e contestação ao Brasil, em um período em que a censura e a repressão foram responsáveis pelo fim de muitas ilusões revolucionárias alimentadas pelas propostas estéticas dos anos 60.

Na verdade, entende-se que, na época da ditadura, a conjuntura social era diferente do que é agora. O contexto político era outro. A maioria dos jovens que estavam envolvidos nos movimentos de protesto eram estudantes universitários, que se utilizavam também da música para se manifestarem, nos festivais musicais, contra a repressão e o sistema político em que viviam e esses jovens não se consideravam excluídos da sociedade, como acontece hoje.  A forma de protesto era bem maior, era mais latente, porque as pessoas eram prejudicadas por qualquer ação que o governo julgasse incorreta, então, a forma que encontravam para expressar sua indignação era por meio da música.

Publicado por: Lara | Outubro 20, 2008

Hip Hop: o começo

Esse movimento hip hop surgiu nos anos 70 com um D.J. chamado Afrika Bambaataa, que foi inspirado por Kool D.J. Herc (era o D.J. mais conhecido da época), e com a ajuda de outro D.J. chamado Grand Master Flash. Ele reformulou as rimas em cima dos Break Beats, um tipo de música da época.

Bambaataa teria se inspirado em dois movimentos, um deles era a forma pela qual se transmitia a cultura dos guetos americanos, o outro estava na forma de dançar da época, que era saltar movimentando os quadris.

Segundo o site dancaderua.com.br, se existe alguém responsável pela criação da música Break Beat, foram Kool D.J. Herc, Afrika Bambaataa e Grand Master Flash; os que vieram depois só ajudaram a construir o hip hop.

No Brasil, o hip hop surgiu na década de 80, absorvendo características regionais diferentes em vários estados. Com o passar do tempo, o gênero assumiu características de movimento de cada grupo, sendo reconhecido também como uma cultura de rua, assim como o movimento punk e o rock.

Em 1984, a mídia, por meio dos jornais e de outros meios de comunicação, noticiou a chegada da nova dança no país, a dança de rua.

A cultura hip hop é formada pelos seguintes elementos: o rap – rhythm and poetry, ou seja, ritmo e poesia, que é a expressão musical-verbal da cultura; o grafite – que representa a arte plástica, expressa por desenhos coloridos feitos por grafiteiros, nas ruas das cidades espalhadas pelo mundo; o break dance – que representa a dança, D.J. e MC.

Os D.Js. são profissionais que utilizam discos de vinil para produzirem um som diferenciado, para um determinado público alvo, já que na época não existia CD. Fazem mixagens com qualquer tipo de música, que para o hip hop é fundamental, mas, hoje, contam com aparelhos de CD player com recursos para D.J., podendo assim produzir o som com um CD.

Os MC’s (Mestre de Cerimônia) contam acontecimentos de grupo e individuais de bairro, das dificuldades dos jovens afro-descendentes que vivem na periferia. Os MC’s abordam fatos do dia-a-dia, possibilitando a identificação da população da periferia enquanto grupo, enquanto gueto, pois sem eles o rap não existiria.

O dicionário da Música Popular Brasileira de Albin descreve o hip hop como uma cultura oriunda das classes menos favorecidas, que é basicamente de origem afro-jamaicana. O rap é considerado a linguagem musical do hip hop, com um discurso quase sempre calçado na crônica urbana da diferença de classes, cujo texto é usado como forma de protesto, no qual expõe o problema e discursa sobre ele.

Segundo o site dancaderua.com.br, em agosto de 1989, um homem chamado Milton Salles criou a MH2O “Movimento Hip Hop Organizado”. Salles nesta época, era produtor dos Racionais Mc’s e foi até 1995, isso ajudou-o a divulgar muito o rap para o grande público.

De acordo com Albin, no dicionário da Música Popular Brasileira, o rap não é novo e nem foi criado nos Estados Unidos. Há pesquisadores que afirmam que surgiu em local, dia, mês e ano marcados. Há quem discorde e defenda que o rap faz parte de um híbrido da cultura negra jamaicana mesclada com aspectos da cultura afro norte-americana.

Publicado por: Lara | Outubro 18, 2008

Gilberto Gil também teve música censurada

Gilberto Gil (Tradição)

Conheci uma garota que era do Barbalo
Uma garota do barulho
Namorava um rapaz que era muito inteligente
Um rapaz muito diferente
Inteligente no jeito de pongar no bonde
E diferente pelo tipo
De camisa aberta e certa calça americana
Arranjada de contrabando
E sair do banco e, desbancando, despongar do bonde
Sempre rindo e sempre cantando
Sempre lindo e sempre, sempre, sempre, sempre, sempre
Sempre rindo e sempre cantando
Conheci essa garota que era do Barbalho
Essa garota do barulho
No tempo que Lessa era goleiro do Bahia
Um goleiro, uma garantia
No tempo que a turma ia procurar porrada
Na base da vã valentia
No tempo que preto não entrava no Bahiano
Nem pela porta da cozinha
Conheci essa garota que era do Barbalho
No lotação de Liberdade
Que passava pelo ponto dos Quinze Mistérios
Indo do bairro pra cidade
Pra cidade, quer dizer, pro Largo do Terreiro
Pra onde todo mundo ia
Todo dia, todo dia, todo santo dia
Eu, minha irmã e minha tia
No tempo quem governava era Antonio Balbino
No tempo que eu era menino
Menino que eu era e veja que eu já reparava
Numa garota do Barbalho
Reparava tanto que acabei já reparando
No rapaz que ela namorava
Reparei que o rapaz era muito inteligente
Um rapaz muito diferente
Inteligente no jeito de pongar no bonde
E diferente pelo tipo
De camisa aberta e certa calça americana
Arranjada de contrabando
E sair do banco e, desbancando, despongar do bonde
Sempre rindo e sempre cantando
Sempre lindo e sempre, sempre, sempre, sempre, sempre
Sempre rindo e sempre cantando
A música trata-se de um comunicado interno do Departamento de Censura e Diversões Públicas. Na ocasião o diretor Rogério Nunes pede atenção aos
censores com relação às palavras “barbalho” e “porrada”.

fonte: censuramusical

Acima encontra-se o vídeo de Geraldo Vandré cantando Aroeira. É um momento único, a música é um fascínio, quem conhece a letra de Aroeira sabe o que quero dizer: a gravação de 1967. A ditadura aprofundava-se cada vez mais sobre o povo, a repressão e o regime militar fazia parte incondicional dessa época, e assim mesmo, Vandré canta Aroeira no festival da Record.

Aí está a letra:

Vim de longe, vou mais longe
quem tem fé vai me esperar
escrevendo numa conta
pra junto a gente cobrar
pro dia que já vem vindo
que esse mundo vai virar

Noite e dia vem de longe
branco e preto a trabalhar
e o dono senhor de tudo
sentado mandando dar
e a gente fazendo conta
pro dia que vai chegar
a gente fazendo conta
pro dia que vai chegar

marinheiro, marinheiro
quero ver você no mar
eu também sou marinheiro
eu também sei governar
madeira de dar em doido
vai descer até quebrar:
é a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar

 

Publicado por: Lara | Outubro 8, 2008

Protesto – 1968

Manifestaçao da população contra militares pela morte de um jovem (música: Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré). A composição era como se fosse um hino de resistência contra o governo militar, à repressão.

Confira a letra:

Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam antigas lições
De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Publicado por: Lara | Outubro 8, 2008

Geraldo Vandré ainda conta sua história

Mário Luiz Thompson

Geraldo Vandré

As letras musicais da época da Ditadura tinham a ver com questões políticas, culturais e sociais. O governo era formado por militantes que eram ordenados a seguirem o plano ditatorial da época, não permitindo qualquer ação diferente dos costumes estabelecidos.

Em relação à produção cultural, os autores usavam mensagens cifradas, ideológicas, contra política, mas mesmo assim foram proibidas várias obras críticas sobre os problemas sociais e a repressão daquele tempo. Músicas como: “Sinal fechado”, de Paulinho da Viola, “Construção” e “Apesar de você”, de Chico Buarque de Holanda, também foram censuradas.

Quando lembro de Geraldo Vandré logo me vem à cabeça o momento que ele viveu em meio à ditadura militar. O antes, e o depois do AI-5, o fechamento do Congresso, e, a marca principal de sua geração, que foi as ruas para protestar contra o golpe militar.

Ainda em 1968, com o AI-5, Vandré foi obrigado a exilar-se. O compositor partiu para o Chile e, de lá, para a França.

Geraldo Pedrosa de Araújo Dias voltou ao Brasil em 1973 e, por incrível que pareça, está vivo até hoje, vive em São Paulo e, segundo entrevista para o site yahoo, é fascinado pela mecânica dos aviões e dos automóveis desde criança. Muitos, porém, acreditam que Vandré tenha enlouquecido por causa de supostas torturas que ele teria sofrido. O músico, no entanto, nega que tenha sido torturado e diz que não se apresenta mais porque isso é passado, hoje prefere mexer com motor de carro do que com música

Publicado por: Lara | Outubro 6, 2008

Racionais MC’s: ampliando conceitos

Racionais MC's

Racionais MC's

O rap por ser um estilo desenvolvido na periferia e por seus jovens moradores, absorveu a linguagem do seu próprio ambiente. Por causa da politização dos primeiros rappers, surgiu um grupo que começaria a levar suas experiências de vida da periferia para as letras das músicas. Com maior consciência crítica em relação aos problemas da comunidade, e explorando questões sociais nas letras das músicas, os rappers transformam-se em porta-vozes da população periférica.

Para a comunidade da periferia, ser diferente é ser contra o sistema. Existe uma revolta contra isso, que está presente na maioria das letras de rap. As histórias são sempre as mesmas, porque as condições de vida são as mesmas, e quando surge alguém diferente, ganha um pouco mais de visibilidade. Por isso, o Mano Brown teve alguma coisa de diferente nas letras. Ele apresentou seus argumentos e logo a mídia divulgou à população, interessando às produtoras musicais gravarem esse estilo do rapper, gerando assim o processo de mercadologia.

Racionais MC’s é um dos grupos mais importantes e conhecidos de rap do Brasil. Surgiu em 1990 em São Paulo e suas músicas abordam temas como violência, drogas, miséria, discriminação e marginalidade de uma forma agressiva e por isso sempre são criticados pelo mercado fonográfico que vê nos Racionais um movimento para promover o tráfico de drogas e a criminalidade no Brasil. Os quatro componentes do grupo Racionais são: Edy Rock, KL Jay, Ice Blue e Mano Brown, todos são negros e originários de famílias pobres.

Esse grupo sempre esteve envolvido na luta contra o racismo e contra a violência policial e isso é destacado em suas letras musicais.

As músicas de rap é a única que tem no seu discurso, na enunciação, a voz dos menos favorecidos, portanto, os Racionais MC’s e os demais grupos de rap trazem para a letra musical a expressão máxima da sua condição de marginalizado, de excluído, de menos favorecido, ou seja, por mais agressiva que seja a música existe um crescente público alvo para ela.

 

 

Publicado por: Lara | Outubro 5, 2008

ÀS VÉSPERAS DOS 40 ANOS DO AI-5 1968-2008

Com o golpe de 1964, o Brasil mergulhou em um dos períodos mais duros de sua história, porque a política do país foi substituída pela força bruta dos militares, censura e torturas fizeram parte do contexto histórico da população. Nessa época do golpe era necessário que os militares pudessem legalizar suas ações, para que todo o projeto político não sofresse impedimentos judiciário e para que não fosse acusado de ação ilegal. Era necessário criar algo que justificasse, dentro da lei, os propósitos ditatoriais dos militares brasileiros. Portanto optou-se pela elaboração dos Atos Intitucionais, era necessário criar algumas leis no sentido de garantir o sucesso da chamada “revolução de 64″.

Em 13 de dezembro de 1968, o regime da ditadura militar, instituído pelo golpe fascista 1964, impôs o mais cruel dos Atos Institucionais, o AI-5 que, além de reeditar todas as medidas autoritárias do AI-2 de 1965 – intervenção nos estados e municípios, supressão de direitos políticos e cassação de mandatos parlamentares, direito de greve, etc. – retirou também o direito de hábeas corpus para os chamados “crimes” contra a famigerada Lei de Segurança Nacional.

A intensificarão da repressão política, a partir da instauração do AI-5, foi uma reação da ditadura militar diante do crescimento das manifestações contra o regime. Acompanhando a onda revolucionária mundial de 1968, a classe operária e a juventude protagonizaram naquele ano importantes lutas contra a ditadura. No final de março, na repressão a uma manifestação estudantil no Rio de Janeiro, a polícia assassinou um jovem estudante de 17 anos, Edson Luis, provocando grandes manifestações de protesto contra a ditadura. Quatro dias depois, nova repressão policial às manifestações estudantis no Rio de Janeiro, matou o estudante José Aprígio e o escriturário David Neiva, deixou dezenas de feridos e mais de 200 presos. As manifestações estudantis contra o regime e sua política educacional culminaram na histórica passeata dos Cem Mil em junho de 68.

Além das manifestações estudantis, como se não bastasse, a luta conta os baixos salários fez explodir a greve dos metalúrgicos de Contagem (MG), brutalmente reprimida. Em Osasco (SP), a greve metalúrgica resultou na ocupação da fábrica Cobrasma pelos operários. A violenta repressão das Forças Armadas faz mais de 400 operários presos. Esses episódios constituíram as primeiras grandes iniciativas do movimento da sociedade contra a ditadura.

fonte: LBI

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