Publicado por: Lara | Agosto 9, 2009

Perdão: caminho para crescer

“Perdoar verdadeiramente indica que já aprendemos a amar e nos dá sintonia com Espíritos de Luz”.
Admir Serrano (Psicólogo e dirigente espiritual)

Para ser capaz de perdoar é preciso vencer o que segundo o espiritualismo é uma praga na humanidade: o orgulho. Há muitos casos de pais e filhos, irmãos e outros familiares que passam anos nutrindo rancor um pelo outro, com desejo de pedir e oferecer perdão, mas incapazes de quebrar a barreira do orgulho (eu sei muito bem o que é isto).
Andei pesquisando, e segundo o promotor de justiça e também dirigente espiritual Marcos Antônio Lelis Moreira, a falta de condição para perdoar as ofensas, são fontes importantes para o surgimento de doenças, desde uma simples dor de cabeça até uma enfermidade grave, como o câncer e o infarto, por exemplo.
Dependendo da força do rancor, nossos órgãos e nossa mente sofrerão as consequências. Já existem estudos que comprovam que a ira também faz mal à saúde, podendo causar infartos e derrames.
Portanto, o perdão alivia nossa alma, nos traz a tranquilidade da consciência.

“Com a prática do perdão verdadeiro, podemos caminhar aliviados em busca da felicidade”.
Marcos Antônio Lelis Moreira (Promotor de Justiça e dirigente espiritual

Devido meu interesse pelos anos 60 e 70, escrevi um texto sobre a Revista Realidade, que foi um marco na história da imprensa brasileira na década de 60 que merece destaque e ser lembrada sempre.

 

Criada em abril de 1.966, na época da ditadura militar, a revista Realidade abordava assuntos dos mais diferentes tipos das outras tradicionais da época. Possuía uma linha editorial livre, assim, os jornalistas publicavam matérias sobre qualquer assunto, como questões sociais, sexo, ciência, virgindade, comportamento, com um enfoque no jornalismo investigativo (denúncia).

A equipe da revista inspirava-se nas ambições estéticas do new journalism norte-americano. A revista é o espaço onde pode exercitar o fluxo de atenção lingüística e cronológica (ordem cronológica dos acontecimentos), fazem infográficos, gráficos, tentando resgatar os acontecimentos.

Foi lançada sua primeira edição em 1.965, com 5.000 exemplares, e a cada publicação o número de tiragem aumentava, chegando aos 500.000 exemplares. Mas, isto durou pouco tempo, exatamente 10 anos, tempo este em que a revista circulou no país.

José Hamilton Ribeiro, redator-chefe da Realidade, tentou fazer com que a revista não perdesse sua autenticidade, mantendo sua linha editorial. Depois de um tempo de publicação, os juízes julgaram seu conteúdo como indigesto, chegando a mandar militares recolherem o material jornalístico das bancas, por mostrar pela primeira vez na história do jornalismo a foto e matéria completa de uma mulher no momento do parto, em um “ângulo ginecológico”. Teve também em uma reportagem sobre a Amazônia, onde mostrava imagens de uma onça pintada sem a pele e toda ensangüentada, mas esse era seu objetivo, mostrar a realidade nua e crua.

Ribeiro relembra “Estive na guerra”, era o repórter escolhido para fazer a cobertura da Guerra do Vietnã, onde acabou pisando em uma mina terrestre, perdendo assim parte da perna esquerda, sua matéria explicita a dor e sofrimento do jornalista, juntamente com uma foto dele ferido.

Em 1.968, a revista sofreu uma enorme censura, com o surgimento do AI – 5 (olha o A.I. aí denovo). Grande parte de seu jornalismo investigativo, seus assuntos polêmicos, foram proibidos. O tempo foi se passando e a maioria dos jornalistas foram se demitindo, alegando falta de liberdade para publicarem as matérias desejadas.

Mas ainda assim, Realidade sobreviveu por 10 anos, período de 1.966 à 1.976, sendo publicado sua última edição com o nome de “1.976, Excepcional”. Formada na época por uma equipe excelente, como Victor Civita, Roberto Civita, Paulo Patarra, Sérgio de Souza, Narciso Kalili, Luiz Fernando Mercadante, José Hamilton Ribeiro, Carlos Azevedo, entre outros. A revista permanece na memória e história dos que participaram e dividiram aquele tempo, e das pessoas que ouviram falar sobre um bom jornalismo investigativo.

Publicado por: Lara | Março 8, 2009

A ciência e sua essência

A ciência hoje está fora do compreendimento de algumas pessoas, são tantas as evoluções e tecnologias que nos perguntamos se isso é normal; se temos o direito de “criar” possibilidades de vida; e como a ciência explica esses estudos. Uma vez li uma reportagem na Super Interessante sobre a existência de uma manipulação genética que causa revolução nos canis, agora as raças podem ser moldadas com base no DNA. Será que isso pode chegar aos humanos? Atualmente o aprimoramento significa criar cachorros apenas com as características definidas, dentro dos padrões estabelecidos pelas associações de criadores. Se sair em uma ninhada um cachorro fora da cor normal, ou com um comportamento diferente, os cientistas não irão cruzar com outros para não passar adiante um padrão “defeituoso”. Para manter as raças puras, alguns países e o estado da Califórnia possuem leis que determinam a castração de animais vendidos a não-criadores. Nos últimos anos, têm sido descobertos quais são os genes que provocam a predisposição humana a várias doenças, principalmente a alguns tipos de câncer e males hereditários. Será possível que usemos nas pessoas o mesmo princípio do melhoramento canino de agora? Em tese, um casal em posse desse conhecimento pode escolher o sexo ou a cor dos olhos de um filho antes da concepção. O filósofo K. Apel, em seus estudos, comenta que com a evolução humana, a civilização confrontou todos seus os povos, as nações e suas culturas com tradições morais e grupais diversificadas. Pela primeira vez na história da humanidade, os homens estão diante da tarefa prática de assumir a responsabilidade solidária pelas conseqüências de suas ações, seguindo parâmetros diferentes. Esse fato da ciência de moldar as raças dos cachorros se relaciona com a ética, pois é um ato facultativo. A ética tem sempre a ver com as ciências práticas, que também tem a ver com conduta, o comportamento ético é a escolha pela vida, potencializa o indivíduo frente ao comportamento. Já a moral é a cristalização dos costumes, os mandamentos são morais porque guardam bens éticos.

Publicado por: Lara | Fevereiro 26, 2009

Tempo pra sonhar

Esse ano vai ser diferente…

Mudanças…

Isso é algo que se ouve muito não é?! A lista de promessas de final de ano só aumenta, contendo as metas que queremos, tentamos, e às vezes até conseguimos alcançar no próximo ano.

Quase sempre são planos para emagrecer, gastar menos dinheiro, aproveitar a vida, viajar, ser mais generoso, mais saudável, etc., mas assim que chega o tão esperado novo ano, parece que tudo fica mais difícil de cumprir. Não sobra tempo pra nada, de ir pra academia, ou elaborar um cardápio mais light, os preços só aumentam e tudo fica na mesma rotina. Isso acontece ou por causa do esquecimento, ou por falta de tempo, ou porque não se sabe por onde começar a agir.

Para alcançar metas, é preciso definir os objetivos, não adianta fazer uma lista com 15 itens, pois isso dificultaria ainda mais a conclusão das tarefas. A primeira coisa a se fazer é diminuir essa lista para uns 3 itens e destrinchá-los, com o intuito de criar tarefas para eles com prazo de execução. Por exemplo, estou estudando violão, preciso pelo menos um ano para estar tocando alguns pop rocks, sertanejos, com uma hora de aula apenas aos sábados, mas se eu treinar uma hora que seja por dia, e levando a sério, o quanto antes estarei tocando sempre mais.

No entanto, se o objetivo não for verdadeiro ou se for apenas questão de modismo, ou opinião alheia, não será jamais alcançado. Não adianta desejar algo que está fora do nosso alcance, porque depois nos decepcionamos, e isso acaba afetando nossa auto-estima. Tempo para sonhar nunca é tempo jogado fora, ter um espaço só seu, para respirar e colocar os pensamentos em ordem não é ruim, pelo contrário, assim priorizamos o desejo em relação a algum objetivo, já que muitas vezes a demora em alcançá-los é grande.

Planejar também é levar em conta o que pode dar errado, assim não só a frustração é evitada, mas as mudanças também serão melhor administradas, além do mais, faz com que se tenha certeza do que se quer.

Se você quer mudar a sua vida, não deixe pra amanhã, escreva em um papel seus desejos de mudança e comece hoje mesmo a fazer a diferença para realizar seus sonhos. Os desejos possíveis são os mais reais, e priorizar o tempo é planejar.

Publicado por: Lara | Fevereiro 13, 2009

A violência ainda está presente em trotes universitários

Na última segunda-feira (09/02) a caloura de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Priscilla Rezende, sofreu queimaduras de 2º grau por conta de uma mistura: solvente + desinfetante. E sabe onde aconteceu? … na FUNEC – Fundação Municipal de Educação e Cultura, em Santa Fé do Sul (SP), isso mesmo, para quem pensa que casos como esse só acontecem em cidades grandes, está na hora de rever seus conceitos.

Priscilla relatou em matéria do jornal “Diário da Região”, de São José do Rio Preto (SP), além de reportagens que vi ontem e hoje na TV, que os veteranos do seu curso a respeitaram por estar grávida de 3 meses, e que a agressão foi feita por uma aluna do curso de Pedagogia.

Todo e qualquer universitário que se preze sabe que o trote é um reconhecimento do novo estudante na instituição de ensino. É abominável ver que ainda existem pessoas que são adeptas ao trote violento, felizmente não aconteceu nada de grave com o bebê, queria ver se fosse o contrário, e como essa estudante de Pedagogia estaria se sentindo agora.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher como lesão corporal. Segundo o Diário da Região, a pena prevista para esse tipo de crime pode chegar a cinco anos de prisão, se as lesões forem consideradas de natureza grave.

Tá certo que EDUCAÇÃO vem do berço, e que não se pode culpar totalmente a Fundação pelas atitudes de alguns alunos, mas são esses “alguns” que nos levam a crer que a instituição de ensino está educando vândalos e não futuros profissionais.

Que a justiça seja feita!… Se é que ela existe.

Publicado por: Lara | Fevereiro 8, 2009

De volta ao planeta dos macacos …

Que 2009 seja um ano repleto de realizações, conquistas para “nós”,  para eu e aqueles que acompanharam minha trajetória na construção do blog e do site para conclusão de curso, agora formada em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, espero que oportunidades surjam e se tornem merecidas, e que o esforço não tenha sido em vão.

Passado a euforia e colocando a vida novamente em ordem, volto a postar no blog (que não poderia ter parado), com mais calma e assuntos variados. Agradeço a força de alguns amigos que ainda continuam entrando aqui.

Estou voltando…

Publicado por: Lara | Fevereiro 8, 2009

Vandré, Gil e Caetano, união da guitarra elétrica com MPB

Nascido em João Pessoa, na Paraíba, no dia 12 de setembro de 1935, Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, em que o sobrenome artístico veio do segundo nome do pai, José Vandregísilo, começou usando o nome artístico de Carlos Dias, mas logo passou para Geraldo Vandré.

Em 1965, Vandré participou do I Festival da Música Popular Brasileira da TV Excelsior de São Paulo, defendendo “Sonho de carnaval” de Chico Buarque. No mesmo ano lançou seu segundo disco, intitulado “Hora de Lutar”, entre as músicas do disco, a própria “Sonho de um carnaval”, “Hora de lutar” composta por ele, “Aruanda”, dele com Carlos Lyra e “Samba de mudar” dele com Baden Powell.

Já em 1966, Vandré venceu o II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record de São Paulo. A música vencedora foi “Disparada”, composta com Theo de Barros e interpretada por Jair Rodrigues. “Disparada” empatou no festival com a música “A Banda” de Chico Buarque de Holanda.

Em 1968 o movimento estudantil reagia com mais força à ditadura militar e os conflitos entre o governo e os estudantes passaram a ser mais vistos. De acordo com matéria do site pco.org.br, ainda no ano de 1968, nas eliminatórias para o III Festival Internacional de Cultura, em São Paulo, Geraldo Vandré causou impacto com a música “Pra não dizer que não falei de flores”, popularmente conhecida como “Caminhando”. A música foi defendida no festival junto com o Quarteto Livre, ela ficou em segundo lugar no festival e tornou-se um hino da resistência contra a ditadura militar.

Ainda no III Festival, Gilberto Gil tocou “Domingo no Parque” acompanhado pelos Mutantes, que foi classificada em segundo lugar. “Alegria, Alegria”, de Caetano Veloso, classificada em quarto no mesmo festival, formaria junto com “Domingo no Parque” o movimento tropicalista, em boa parte por causa da inserção de guitarras elétricas em uma música que não era rock.

Em 1968, Gil lançou o LP “Gilberto Gil”, dando início ao Tropicalismo, e tendo ele e Caetano Veloso como principais figuras. Com uma proposta de antropofagia de valores culturais estrangeiros baseada em idéias de Oswald de Andrade, o tropicalismo se concretizou com “Tropicália ou Panis et Circensis”, disco que contou, além de Caetano e Gil, com Os Mutantes, Torquato Neto, Capinam, Gal Costa, Tom Zé, Nara Leão e arranjos do maestro Rogério Duprat. Em 1969, Gil, foi preso pela ditadura militar, e lançou a irônica “Aquele Abraço”, uma de suas músicas mais famosas.

Em 1969, Gil e Caetano Veloso, partiram para o exílio político na Inglaterra, em que Caetano compôs canções como “London, London” e “Como dois e dois” e lançou discos.

Em 1976 Caetano, Gal, Gil e Bethânia se juntaram novamente e formaram o grupo Doces Bárbaros, que gravaram um LP e sairam em turnê. Nos anos 80 continuaram gravando e produzindo discos, como “Outras palavras”, “Cores, nomes”, “Uns” e “Velo”, e em 86 comandaram ao lado de Chico Buarque o programa de televisão “Chico & Caetano”, onde cantavam e tinham a participação de convidados.

Segundo biografia do site cliquemusic.uol.com.br, no início dos anos 90, Caetano lançou o sucesso do disco “Circuladô”, cuja faixa-título é baseada num poema de Haroldo de Campos, colaborador de longa data. Logo em seguida, o disco “Tropicália 2”, em que refez a parceria  de Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Publicado por: Lara | Novembro 16, 2008

Movimento cultural hip hop

Se fossemos feitos de música, escolheria ser o estilo rap, pelo simples fato de poder expressar um sentimento determinado sobre algo ou alguém, apresentando o maior grau de protestos na letra, sem que sejamos perseguidos ou prejudicados. Vivemos em uma sociedade de consumo, onde existem muitos problemas sociais, é difícil apontarmos quais os problemas, mesmo porque pagamos caro por qualquer palavra mal interpretada, portanto existem pessoas que expressam sua indignação em forma de música, assim como os rappers que utilizam esse estilo hip hop para protestar a situação do país.

O dicionário da Música Popular Brasileira de Ricardo Cravo Albin descreve o hip hop como uma cultura oriunda das classes menos favorecidas, que é basicamente de origem afro-jamaicana. O rap (ritmo e poesia) é considerado a linguagem musical do hip hop, com um discurso quase sempre calçado na crônica urbana da diferença de classes, o texto é usado com uma forma de protesto, no qual expõe o problema e discursa sobre ele.

Segundo o dicionário da Música Popular Brasileira de Ricardo Cravo Albin, o rap não é novo e nem foi criado nos Estados Unidos. Há pesquisadores que afirmam que surgiu em local, dia, mês e ano marcados. Há quem discorde e defenda que o rap faz parte de um híbrido da cultura negra jamaicana mesclada com aspectos da cultura afro norte-americana. No Caribe, especificamente na Jamaica, surgiu uma cultura musical de nome “Raga”, uma mescla de ritmos jamaicanos com ritmos africanos. Esse gênero básico serviu como ponto de partida para a criação de novos gêneros como o hip hop.

Outra característica do hip hop em sua expressão musical é a afirmação de cultura produzida na periferia e por ela consumida. Grupos como Racionais MC’s, de São Paulo, não fizeram uso da mídia convencional para chegarem ao reconhecimento local e, depois, ao nacional.

O hip hop na expressão musical do rap assume características próprias em cada região. No Rio de Janeiro, por exemplo, alguns rappers usam como base o samba e em São Paulo a preferência para a base sonora ainda são os loops americanizados.
O hip hop não pode ser consumido, tem que ser vivido (não comprando roupas caras, mais sim melhorando suas habilidades em um ou mais elementos dia a dia). É um estilo de vida, uma ideologia, uma cultura a ser seguida. E assim mesmo, essa cultura é usada também como mercadoria, em boa parte dos rappers usam como forma de lucro, deixando para trás a raiz protestante do hip hop.

Essa cultura é alvo de análise na medida em que nasce como forma de manifestação cultural da periferia, como gírias, corte de cabelo, e principalmente como música, entre outras manifestações.

Por ser um estilo desenvolvido na periferia e por seus jovens moradores, o rap absorveu a linguagem do seu próprio ambiente. Por causa da politização dos primeiros rappers, surgiu um grupo que começaria a levar suas experiências de vida da periferia para as letras das músicas. Com maior consciência crítica em relação aos problemas da comunidade, e explorando questões sociais nas letras das músicas, os rappers transformam-se em porta-vozes dos moradores da periferia.

 

Publicado por: Lara | Novembro 12, 2008

A polêmica Rita Lee

Nascida em São Paulo, no dia 31 de dezembro de 1947, sonhava em ser médica veterinária ou atriz de cinema. Rita desde pequena tinha paixão pela música, e quando estava já na escola, formou um grupo só de garotas chamado Teenage Singers (1963).

Rita Lee

Rita Lee

Vários de seus discos chamaram atenção do público, por suas autorias sempre despojadas, mas as pessoas vão lembrar de “Lança Perfume”, gravado em 1980, que se transformou histórico na carreira de Rita. Do repertório fazem parte canções como “Baila Comigo”, “Nem Luxo Nem Lixo”, “Orra Meu”, “Shangrilá” e “Bem-me-quer”. Lança Perfume ficou por 2 meses nas paradas de sucesso da França, chegou em sétimo lugar da parada da Billboard e foi lançado com grande êxito em vários países da Europa e América Latina.

Participou das bandas: Os Mutantes, Tutti Frutti, gravou discos com seu marido, músico e compositor, Roberto de Carvalho e depois passou a gravar cds solos.

Rita foi presa, em agosto de 1976, quando estava grávida de três meses de Roberto, em sua própria casa, sob acusação de porte de drogas, num dos fatos de truculência explícita mais revoltantes da ditadura que vinha dominando o Brasil desde 1964. Passou um mês entre o DEIC e o Presídio do Hipódromo e depois foi condenada a regime de prisão domiciliar por um ano. Se a intenção fosse forjar uma imagem negativa de Rita, o tiro saiu pela culatra. Nessa época, ela lançou o hit “Arrombou a Festa”, em parceria com Paulo Coelho. Uma sátira bem-humorada do panorama da Música Popular Brasileira daquele período, que se transformou em sucesso.

 

Rita Lee

Música: Gente Fina é outra coisa

Por que você diz que vai fazer e não faz

Assim não da mais

E eu não posso deixar

Se alguém coisa esta errada eu preciso falar

A verdade, a verdade

E eu sei que você está com medo de dar

E o que vão pensar

Não vá se misturar com esses meninos cabeludo

Que só pensam em tocar

E você escuta o papa dizendo

Que gente fina pé outra coisa

Mas gente fina é outra coisa

Então você fica nessa indecisão

Papai tem razão

E não me venha dizer

Que você vai sair de casa e batalhar pra viver

É mentira, é mentira

Hoje mesmo eu te vi

Pensei que fosse o seu pai

Que decepção

Eu fiquei triste de ver

A sua vida começando pelo lado errado

E você está acreditando mesmo

Que gente fina é outra coisa

Mas gente fina é outra coisa.

 

A música “Gente Fina é outra coisa” (1968), foi analisada por diferentes técnicos de censura, que decidiram vetá-la, por estimular o comportamento crítico da juventude. O argumento é que a polêmica cantora estava incentivando uma revolta aos costumes da época.

 

fonte: ritalee.com.br

Carlos Lyra – Música: Herói do medo

Herói do medo, não tenho medo
Do próprio medo que me torna herói
Com minhas regras eu faço o jogo
E logro um único parceiro: eu
Eu sou o primeiro e sou o último
Mas não assumo a condição humana
E me proclamo meu soberano
Na solidão despótica de um Deus
Herói do medo escrevo as tábuas
Da autoridade que repousa em mim
Pra que na terra não a despertem
Vou caminhando, em sonho, sobre as águas
Meu rastro assombra os cães de fila
E rende as preces das mães de família
Mais prevalece minha arrogância
Entre animais, mulheres e crianças

Herói do medo, firo e difamo
E me alimento da fraqueza humana
Com altivez eu dou e tomo
Mas não recebo nunca o oferecido
Ninguém me dá do que sou dono
Porque eu possuo sem ser possuído
Se basta olhar-me em seu reflexo
Por que integrar-me inteiro no Universo?

Herói do medo, odeio a mãe
Por ter nascido e odeio mais a amante
Por ter amado; que há de sofrer
Pra que se avilte e há de morrer pra que eu
Me ressuscite em liberdade
Pois entre dois amei a mim somente
E as mulheres, são para o herói
O passatempo estéril dos covardes

Herói do medo, imolo a vítima
Que aplaca a vida íntima do herói
E aos vencidos (compatriotas)
O meu desprezo, porque nas derrotas
Não movo um dedo por impedir
Com vencedores eu me identifico
E justifico conquistadores
Por seu direito extremo de oprimir
Herói do medo, execro o mundo
E a humanidade, sem lhe ver a face
Pretendo ao prêmio sem correr riscos
E conquistar a glória em luta fácil
Do comodismo desta moral
Falta de ação, mas pródiga de gestos
Lanço um olhar ao meu passado
Me paraliso e me converto em sal ...

O disco foi proibido pela censura, e liberado
em 1975, quando o compositor já não estava
mais no Brasil. Foi vetada por ser uma
suposta mensagem patológica e o autor
apresentar ego psicótico, por isso foi
proibida a gravação.
Liberada em 1975, na letra, os censores
também grifam várias expressões e palavras
que poderiam incomodar os militares, como
“difamo”, “odeio a mãe por ter parido”,
“o passatempo estéril dos covardes”.
No álbum “Herói do Medo”, outras
músicas também incomodaram a Divisão
de Censuras e Diversões Públicas:
“O Segredo”, “O Mutilado”, “Superamor”,
“Era uma Vez a História”. Carlos Lyra
não alterou o conteúdo das letras.

fonte: censuramusical

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